domingo, 29 de dezembro de 2013

Os Três Graus da Participação Activa

O Reverendo Padre da minha Paróquia pediu-me que eu colaborasse num curso de música sacra por ele organizado para um grupo de paroquianos interessados, tendo em vista a formação de um côro mais bem preparado e a solenização da Liturgia. Encarregou-me de leccionar uma cadeira de canto gregoriano, sendo as matérias de história da música sacra católica, ensinamentos do magistério da Igreja sobre a música sacra, solfejo, técnica vocal, e polifonia, entregues a outros colaboradores.

Na programação das aulas, ocorreram-me os três "graus de participação" propostos pela Sagrada Constituição dos Ritos, em 1967, para a introdução do canto sacro na Santa Missa. Leiamos, então, uns poucos parágrafos da instrução Musicam Sacram, que certamente nos mereceria uma atenção mais integral:
7. Entre a forma solene e mais plena das celebrações litúrgicas (em que se canta realmente tudo quanto exige canto) e a forma mais simples em que não se emprega o canto, pode haver vários graus, conforme o canto tenha maior ou menor lugar. Todavia, na escolha das partes que se devem cantar, começar-se-á por aquelas que por sua natureza são de importância maior: em primeiro lugar, por aquelas que devem ser cantadas pelo sacerdote ou pelos ministros, com resposta do povo; ou pelo sacerdote juntamente com o povo; juntar-se-ão depois, pouco a pouco, as que são próprias só do povo ou só do grupo de cantores. 
(...) 
III. O canto na celebração da missa
27. Para a celebração da Eucaristia com o povo, sobretudo nos domingos e festas, há-de preferir-se na medida do possível a forma de missa cantada, até várias vezes no mesmo dia. 
28. Conserve-se a distinção entre missa solene, missa cantada e missa rezada estabelecida na Instrução de 1958 (n. 3), segundo as leis litúrgicas tradicionais e em vigor. No entanto, para a missa cantada e por razões pastorais propõem-se aqui vários graus de participação para que se torne mais fácil, conforme as possibilidades de cada assembleia, melhorar a celebração da missa por meio do canto. O uso destes graus de participação regular-se-á da maneira seguinte: o primeiro grau pode utilizar-se só; o segundo e o terceiro não serão empregados, íntegra ou parcialmente, senão unidos com o primeiro grau. Deste modo, os fiéis serão sempre orientados para uma plena participação no canto. 
29. Pertencem ao primeiro grau:
a) nos ritos de entrada:
- a saudação do sacerdote com a resposta do povo;
- a oração;
b) na liturgia da Palavra:
- as aclamações ao Evangelho;
c) na liturgia eucarística:
- a oração sobre as oblatas,
- o prefácio com o respectivo diálogo e o "Sanctus",
- a doxologia final do cânone,
- a oração do Senhor - Pai nosso - com a sua admonição e embolismo,
- o "Pax Domini",
- a oração depois da comunhão,
- as fórmulas de despedida.
30. Pertencem ao segundo grau:
a) "Kyrie", "Glória" e "Agnus Dei";
b) o Credo;
c) a Oração dos Fiéis.
31. Pertencem ao terceiro grau:
a) os cânticos processionais da entrada e comunhão;
b) o cântico depois da leitura ou Epístola;
c) o "Alleluia" antes do Evangelho;
d) o cântico do ofertório;
e) as leituras da Sagrada Escritura, a não ser que se julgue mais oportuno proclamá-las sem canto.
Note-se que por participação activa deve entender-se, não só a participação vocal dos ministros e do povo nas orações respectivas, mas também, e até primeiramente, aquela verdadeira participação activa, que é espiritual e se dá no coração de cada um: a primeira nunca dispensa a segunda; a segunda, serve-se da primeira, mas pode tão-bem dispensá-la, inclusive até ao extremo do absoluto silêncio.

Com efeito, pareceu-me muito conveniente esta sugestão do Magistério para programar semelhantes aulas como as que me foram pedidas, dividindo para tal o extenso e variado reportório do canto gregoriano em três partes, de crescente complexidade. O que se segue é o resultado dessa divisão, tendo algumas orações sido deslocadas para outro grau em razão da sua natureza musical, como adiante especifico. Este método, que ainda não passou do papel à práctica, parece-me, para já, o mais apropriado para a formação duma schola cantorum de raíz, pelo menos a nível duma paróquia. Por este motivo, partilho desde já os recursos que compus, e peço encarecidamente os vossos comentários.

No 1º grau de dificuldade, ou seja, para um côro principiante, proporia o estudo das seguintes peças:

a) nos Ritos Iniciais:
- a saudação do sacerdote com a resposta do povo
- o acto penitencial
- a oração colecta
b) na liturgia da Palavra:
- a 1ª leitura
- as aclamações da 1ª leitura
- a 2ª leitura
- a aclamação da 2ª leitura
- a leitura do Evangelho
- as aclamações ao Evangelho
- a oração dos fiéis
c) na liturgia eucarística:
- a oração sobre as oblatas;
- os diálogo e prefácio da O.E.;
- o cânone;
- a doxologia final do cânone;
- o Pater noster com admonição e embolismo;
- o Pax Domini e outras aclamações e diálogos, e respectivas orações do celebrante;
- a oração depois da comunhão;
- as fórmulas de despedida;

Ou seja, excluí o Sanctus, que no Kyrial Romano ou na polifonia assume formas bastante elaboradas, e reuni todas as orações entoadas em recto tono, mesmo que o seu canto não seja prioritário na maioria das celebrações (p.ex. Canon, Lectiones). No seu conjunto, cada uma destas orações tem 2 ou 3 versões diferentes, que se mantêm as mesmas em todas as Missas ao longo do ano litúrgico nas mais variadas localizações onde se reza pelo rito romano. E, embora a maioria dos textos se destine ao sacerdote celebrante (ou a outros ministros, leitores, et al.) e não ao povo, as respostas pertencem - essas sim - ao povo, e são practicamente as mesmas, sempre; um coro que as aprenda pode ajudar o resto da assembleia a cantá-las. E o facto de se começar pelas entoações simples, e não pelos tradicionais modos gregorianos (octoechos), tem ainda a vantagem de evitar uma sobrecarga cognitiva nos aprendizes, que poderão focar-se primeiramente:
  • na busca da melhor técnica vocal;
  • no discernimento da correcta afinação, mantida imperturbável ao longo da entoação rectilínea;
  • na descoberta e no entendimento da língua latina;
  • na boa dicção e pronúncia do texto;
  • na sincronia com os restantes membros do côro;
  • na descoberta da notação quadrada e suas particularidades, por oposição à notação moderna;
  • na detecção das principais unidades rítmicas, definidas pela pontuação e sintaxe do texto;
  • na acentuação do início ou fim das tais unidades rítmicas com os acidentes melódicos tradicionais;
  • na percepção dos principais intervalos melódicos (meio tom, tom inteiro, terceira menor, terceira maior, etc.);
  • na desintoxicação tonal e na aceitação do ambiente modal, mais propício que é ao recolhimento e oração;
  • no conhecimento de como as entoações da Missa formam um todo sólido, um esqueleto musical ao qual se apendem outros géneros musicais mais complexos (canto melismático, polifonia).
Para além disso, permite-me também a mim ganhar a experiência que não possuo para dirigir peças mais complexas. Deixo-vos, então, um manual (Dropbox, Scribd) em que reuni (com manifesto amadorismo) todas estas entoações, e que inclui, no final, os seguintes cantus varii propostos pelo Papa Paulo VI em 1974 a toda a Igreja de rito romano: O salutaris hostia, Adoro te devote, Tantum ergo sacramentum, Laudate Dominum, Parce Domine, Da pacem, Ubi caritas, Veni creator Spiritus, Regina cæli, Salve Regina, Ave maris stella, Magnificat, Tu es Petrus, e Te Deum.


Depois de bem sabido o 1º grau, proporia para o 2º o estudo das peças do Kyriale Romanum, as quais, embora preservando o mesmo texto ao longo do ano litúrgico, convém que se variem na música (mais ou menos como se mudam as côres dos paramentos):
  • Kyrie, incluindo algumas versões com tropo (fons bonitatis II, firmator sancte VIII ad lib., orbis factor XI);
  • Gloria in excelsis Deo;
  • Credo;
  • Sanctus;
  • Agnus Dei;
  • Ite missa est.
Estas peças vêm em grupos no Gradual Romano, de forma que se pode começar pelas mais simples (missas com n.º mais elevado) e ir crescendo na dificuldade. As peças do ordinário são úteis para o ensino dos modos gregorianos, que se poderá fazer nesta altura. Deixaria para o fim as antífonas da aspersão com água benta (Asperges me, Vidi aquam) e os oito tons do Gloria Patri da Missa (começando pelos VII e VIII modos, que se cantam nestas antífonas, respectivamente); estas peças exigem alguns conhecimentos de semiologia gregoriana, até aqui desconhecida, e que se revelará indispensável no 3º grau. Mas antes o PDF do Kyriale Romanum:



Finalmente, chegamos ao 3º grau: que inclui as peças do próprio de cada Missa:
  • Introitus
  • Graduale
  • Tractus
  • Alleluia
  • Sequentia
  • Offertorium
  • Communio
Estas peças, cujos texto e melodia variam practicamente todas as missas, são as mais belas do reportório gregoriano, mas também as mais difíceis. As peças mais fáceis são as sequências, com o seu estilo silábico. As restantes, semi-ornamentadas e melismáticas, exigem que se coordene tudo quanto se aprendeu até aqui, e se aprenda a modelação rítmica tão característica da música medieval. Para isso, encaminhamos o leitor interessado aos seguintes livros: Graduale Triplex, Offertoriale Triplex, Graduale Novum e Graduale Restitutum, que publicam as partituras a cantar em cada Missa; e para outros manuais, que ensinam a ler a notação arcaica.

Uma vez dominado este nível, resta cantar a polifonia do Renascimento, e voar!...

sábado, 28 de dezembro de 2013

Cânticos do 4º Domingo do Tempo Comum / Hebdomada IV per annum

Intróito Laetétur cor, aqui cantado pelo eslovaco:



Comentário de Tiago Barófio sobre este intróito:
Canto costruito per inclusione, in cui la frase iniziale è sovrapponibile a quella finale. Il testo latino insiste sul tema della ricerca di D-i-o. Esso viene declinato in tre brevi incisi melodici che spaziano dall’apice al punto più profondo, dal la acuto al la grave (quaerentium, quaerite [“considerare” nell’ebraico], quaerite). 
Dopo il triplice richiamo all’adorazione (cfr. le prime tre domeniche del tempo ordinario), con le parole del salmo 104, 3-4 il cantore proclama oggi l’impegno nella ricerca. Ricerca appassionata che coinvolge la persona in tutte le sue fibre. “Si revera Deum quaerit” dice san Benedetto a proposito della verifica da farsi circa l’idoneità dei novizi. In queste poche parole si riassume pure il programma di vita di ogni credente. Cercare D-i-o: sempre e ovunque, senza stancarsi, senza illudersi né compiacersi di averlo forse trovato, non basandosi su calcoli opportunistici ma confidando nella sua misericordia e nelle promesse fatte ad Abramo e alla sua discendenza, per sempre. 
Sì, perché la ricerca di D-i-o non porta necessariamente a trovarlo e a incontrarlo sul piano dell’esperienza sensibile (toccare, vedere, sentire...). Qualora Lo si trovasse nella fede, tale fatto non concluderebbe affatto la ricerca, anzi, provocherebbe una corsa ulteriore, con più slancio, più profonda nostalgia d’assoluto e d’intimità. Qualora non lo si trovasse, nella fede si aprirebbero nuovi cammini, spesso oscuri ed impervi. La salita all’esperienza del Tabor impone il progressivo disfarsi dei pesi inutili, dei progetti velleitari. È una salita che ricalca le orme che si trascinano verso il Golgota, denudati alla sequela di Cristo crocifisso. 
Nessun discepolo del Risorto può illudersi e tanto meno illudere i compagni d’avventura con false e rassicuranti promesse. Nella buona e nella cattiva sorte, la Parola è l’unica lampada che illumina il cammino. La forza dello Spirito è la sola che sia in grado di confortare il pianto, lavare la sporcizia, irrigare l’aridità, sanare i cuori che sanguinano, piegare ciò che è rigido, sciogliere il gelo paralizzante, rimettere sulla giusta careggiata gli sbandati ...
La visione contemplativa è in grado di rasserenare. Scoprire il volto glorioso di Cristo nascosto sotto una faccia macilenta e sporca, dilata l’orizzonte e immette nella vita una boccata di ossigeno. Vivere con generosità l’inserimento in una comunione di ideali con altre persone conosciute e amate: è un fatto che rincuora, cementa l’amicizia, rinsalda e aiuta a superare i momenti di debolezza spirituale e fisica.
Nelle infinte tappe dell’esistenza, prima dell’incontro finale, nella serena e anche sofferta ricerca si può godere una gioia profonda del cuore, la gioia che solo lo Spirito sa donare. Di questa gioia il cantore è chiamato a dare testimonianza, provocato e accompagnato dall’invito rassicurante che lo stesso salmo 104 fa risuonare nella salmodia che conclude l’introito: Confitemini Domino, et invocate nomen eius; annuntiate inter gentes opera eius - Lodate il Signore, invocate il Suo Nome, proclamate fra i popoli le Sue opere (trad. E. Zolli).

Gradual Quis sicut Dominus, cantado pelo eslovaco:





Comentário de Tiago Barófio à Alleluia Adorábo:

Adorabo ad templum sanctum tuum, et confitebor nomini tuo (sal 137, 2) (sol autentico - VII modo)

La melodia in Italia e nel mondo germanico è cantata unicamente sul testo base “Adorabo”, mentre in area francese – secondo Karl-Heinz Schlager – è adattata a due ulteriori testi (“Posui adiutorium” e “Usquemodo non petistis”). Lo slancio iniziale imprime una forte connotazione all’intero brano. In esso emergono, con alcune varianti e contrazioni, una scalata dal FA al mi/fa acuti e una corrispondente discesa. La maggior intensità si raggiunge a metà verso. Un ampio melisma (struttura aab: confitebor) spazia lungo tutta l’ottava FA-fa-FA. La conclusione dello iubilus e del verso propongono una figurazione errata che le edizioni moderne raggruppano in torculus + clivis (3 + 2 note). Occorre rispettare la dinamica modale e i segni neumatici che propongono un pes quassus seguito da un pressus maior (2 + 3 note). Il che di fatto è coerente con tutta la tradizione gregoriana. Essa segnala un’interessante traccia della preistoria della musica occidentale: in contesto cadenzale la nota principale è la III al di sopra della finalis (si pensi alle moderne scale maggiori e minori).
Il cantore ci ricorda oggi due atteggiamenti fondamentali che occorre coltivare per evitare la banalità di un diffuso disimpegno religioso. È una trasposizione, su un piano diverso, di quella banalità del male che si stenta a cogliere nel singolo e nella società. È l’inizio della disintegrazione della persona che trova facili quanto fallaci alibi in collaudate pratiche esteriori e legalismi moltiplicati con il solo intento di creare confusione e proteggersi con una densa coltre di fumo.
Il canto si leva controcorrente. Ribadisce ancora una volta che la fede porta all’adorazione (adorabo) e alla proclamazione della signorìa di D-i-o (confitebor). L’esaltazione del “nome” è la necessaria conseguenza di un incontro che il salmista evidenzia con due semplici vocaboli “confitebor nomini tuo super misericordia tua et veritate tua”. A D-i-o si può pensare in tanti modi, possiamo immaginarcelo in mille proiezioni fantastiche. C’è un'unica visione che regge la prova dell’autenticità contro le innumerevoli insidie con cui siamo tentati di stipulare un patto e avere effimeri vantaggi. È la visione dell’amore misericordioso e delle verità limpida, non contaminata da compromessi. Visione che non è immaginifica, bensì esperienza reale della misericordia e della verità del Padre concretizzate nella persona del Figlio, Cristo Gesù, il Verbo incarnato.
La proclamazione profetica che Gesù è il Cristo benedetto dal Padre, non si riduce a parole e neppure a canti. Diviene adorazione attonita. Nel silenzio siamo tutti prostrati nell’ascolto della Parola, nell’attesa che la luce rischiari la mente. È tutto un levare lo sguardo in alto e ritornare a considerare la nostra precarietà, in un cammino che si fa corsa sempre più slanciata e libera nel seguire la melodia dell’Alleluia. Un canto irrompe nel cuore, il vero tempio dello Spirito, dove siamo chiamati a creare spazi inediti per ospitare D-i-o e tutti i fratelli. Nessuno escluso. 
Confortati dalla misericordia, siamo inviati a propagare questa stesso amore affinché non inaridisca. Illuminati dalla verità siamo chiamati ad annunciarla nonostante tutte le nostre imperfezioni affinché a nessuno manchi la luce dello Spirito.

Comunhão Illúmina fáciem tuam, pelo eslovaco:



Nos Domingos do Ano A, canta-se a antífona Beati mundo corde. Esta antífona recorda as 3 primeiras Bem-Aventuranças do Sermão da Montanha, e pertence ao "Comum dos Santos", isto é àquele grupo de cânticos que se pode cantar na Missa do Dia de um Santo ou Santa. Leiamos a meditação de Bruder Jakob:
Il Missale Romanum propone come antifona di comunione due testi: sal 30, 17-18 (“Illumina faciem tuam super servum tuum..”) e le prime due “beatitudini” (“Beati pauperes spiritu … Beati mites …”: Mt 5, 3-4). Il Graduale ricupera le tre ultime “beatitudini” (Mt 5, 8-10) presenti in un canto, la cui trasmissione è complessa, come si può vedere dal confronto tra il Graduale Romanum e il graduale-comes umbro-laziale conservato a Messina (Bibl. Painiana 19, 9v). Le due melodie si differenziano, pur avendo vari punti identici. 
La recensione musicale del Graduale offre un canto in I modo (re autentico) di stile semplice, costituito da quattro segmenti che terminano con un disegno a chiasmo (re - fa - fa - re). La triplice promessa “Beati” è annunciata con una crescente intensità che sfocia nel terzo “beati” con una tensione derivata dalla preparazione della VII fa-la-do-mi. Il canto si muove riproponendo e alternando due cellule melodiche (sol-la/la-sol e mi-fa/fa-mi). Ciò crea due ambiti di contrasto che impediscono di cadere nella monotonia. 
Il richiamo melodico e la rima delle quattro sezioni cadenzali aiuta a comprendere il discorso della montagna e le implicazioni che ne derivano. “Deum videbunt”: l’incontenibile desiderio di vedere D-i-o e di superare ogni barriera non è proiettato solo nel futuro. Esso trova la sua realizzazione concreta nell’attuazione del Regno che avviene già oggi e qui. In ogni momento, in cui per amore e in nome della giustizia si rimane saldi nella fede e si affrontano le persecuzioni. Dal dileggio istrionico alle tante forme di violenza, sino alla testimonianza estrema, il martirio con la donazione della propria vita. 
La seconda situazione cadenzale inizia con il sottolineare la confessione di fede battesimale “filii Dei vocabuntur”. Chiamarsi ed essere di fatto figli di D-i-o è un atto di giustizia. In primo luogo è la rivelazione di quanto D-i-o sia giusto. Conseguenza obbligata è l’essere noi stessi giusti e operatori di giustizia per rendere presente nella storia l’azione salvifica di D-i-o. 
Beati”: parola chiave del cammino che l’uomo compie sotto lo sguardo vigile, materno e insieme paterno, di D-i-o. Parola che riassume l’esperienza della serenità interiore, della pace dei sensi, di un benessere che attraversa e sorregge l’intera persona. Beatitudine, questa, che nulla ha di passiva e irresponsabile incoscienza, non è frutto né origine di disimpegno sociale. Beatitudine che richiama semplicemente l’abbandono filiale e la fiducia in D-i-o. 
In quest’orizzonte si apre la prospettiva delineata da rav Samson Samuel Hirsch. Nel tradurre il primo verso del salmo 1, al vocabolo tradotto solitamente con “beati” egli attribuisce una diversa valenza da cui emerge la dinamica dell’impegno spirituale. “Alles Fortschritt zum Heil ist des Mannes …” che André Chouraqui renderà con “En marche”. Rav Hirsch continua nel commento “Si tratta di ogni possibile progredire, di tutti i progressi, di progredire in tutte le direzioni. Avanzare/Progredire in tutti i valori desiderabili, questo è il motivo e lo scopo di tutti i pensieri e di tutte le azioni di tutti gli uomini …”. Beatitudine dinamica che trova la sua forza propulsatrice nell’accogliere la Parola, masticarla, ruminarla e assimilarla giorno e notte. Parola che si fa carne e si offre ai beati nel banchetto eucaristico.

Música para a Epifania do Senhor / Missa in Epiphania Domini

Partituras:
  • Próprio autêntico (PDF)
  • Ofertório autêntico com versículos (PDF)
  • Tradução literal do Próprio (GDrive)
Adoração dos Reis Magos,
Gregório Lopes e Jorge Leal,
1524, Portugal.

Intróito Ecce advénit dominátor Dóminus, aqui na interpretação do projecto eslovaco Graduale:




Sobre este mesmo intróito, escreve-nos Fúlvio Rampi:

Obras maestras del canto gregoriano /"Ecce advenit"

Es el introito de la fiesta de la Epifanía. En una nueva ejecución que nos ofrecen los "Cantori Gregoriani" y su  Maestro


de Fulvio Rampi




TRADUCCIÓN


He aquí, el dominador viene, el Señor;
en su mano están el reino, el poder y la fortaleza.

Oh Dios, confía al rey tu derecho,
al hijo del rey tu justicia.

He aquí...

Los reyes de Tarsis y las islas traerán tributos,
los reyes de Saba y de Seba ofrecerán dones.

He aquí...

(Malaquías 3, 1 y 1 Crónicas 29, 12 / Salmo 71, 1.10)



ESCUCHA







GUÍA A LA ESCUCHA


Algunos misales en lengua corriente traducen el introito de la Epifanía omitiendo ese “Ecce” inicial que, en realidad, es el presupuesto esencial para la comprensión de este texto.

Es el presupuesto porque su copiosa utilización durante todo el tiempo de Adviento – tanto en el repertorio de la misa como, sobre todo, en las numerosas antífonas del oficio divino – está claramente marcada por una valencia profética que, en la mente del cantor gregoriano, encuentra su respuesta definitiva precisamente en este "Ecce" de la Epifanía.

La forma melódico-rítmica del introito, casi "esculpida” por el gregoriano, es simple y esencial. Las cuatro notas ascendentes sobre la primera sílaba de "Ecce", que se doblan sobre el neuma monosónico situado sobre la silaba final, son alusión, respuesta y cumplimiento de un itinerario que aquí encuentra su “manifestación”. Todo lo que será cantado en esta antífona se funda sobre este “Ecce” de apertura.

La centonización de fragmentos veterotestamentarios extraídos de Malaquías y de las Crónicas compone un texto litúrgico que narra la manifestación de la realeza de Cristo con pocos términos esenciales y de gran fuerza, cantados en un estilo semi-adornado, es decir, con figuras neumáticas elementales.

En la primera gran frase es evidente cómo se enriquece y adorna el texto con figuras retóricas concretas como la “paronomasia”, es decir, el acercamiento de palabras con sonido similar (“dominator” y “Dominus”) pero con significado distinto, y la aliteración, es decir, la sucesión de palabras que empiezan con la misma letra “d”. En cambio, en la continuación del texto destaca la insistente repetición de la conjunción “et” con función expresiva.

Sobre esta composición textual, de por sí ya muy significativa, interviene la escritura musical para dar orden a la declamación, que resalta dos momentos salientes: sobre las palabras “dominator” y “potestas”, que se atraen en el significado y en la construcción rítmica de los elementos silábicos, y que resumen y concentran la densidad y el color de esta solemne fiesta litúrgica.

El canto de estas dos palabras se distingue por un procedimiento retórico bastante frecuente que consiste en la enfatización de la sílaba pre-tónica, la que precede el acento, mediante la utilización de dos notas que reverberan con valor largo. Cada una de estas dos palabras no sólo es resaltada, sino que es dilatada y promovida como pilar expresivo de la respectiva frase y de la pieza en su conjunto.

Podemos notar que la paronomasia “dominator Dominus”, tan importante desde el punto de vista retórico y rítmico, no es expresada desde un punto de vista melódico de manera particularmente exuberante. No encontramos aquí ningún melisma, ni ninguna floritura de notas. Se asiste, en cambio, a la contracción del ámbito melódico hasta hacerlo coincidir prácticamente con la sola cuerda de recitación, en modo tal que se crea el lugar ideal para poder disfrutar del texto en toda su plenitud.

Respecto a la segunda parte de la pieza (“et regnum…”), caracterizada por la iteración de la conjunción “et” para tres distintas atribuciones de la realeza de Cristo, observamos sobre todo que el primer “et” está interesado rítmicamente por un alargamiento, a su vez provocado por la licuescencia de la segunda nota. Esto significa que no se trata de una simple conjunción, sino de un paso para preparar lo que se estaba a punto de decir, es decir, para ralentizar el ritmo del fraseo y así evitar que la atención se concentre sólo en el sustantivo “regnum”, sugiriendo con ello que la meditación interesa a cada una de las palabras de toda la expresión.

El segundo “et”, a diferencia del precedente, realiza la función de simple conjunción con el elemento sucesivo, el solemne “potestas”, donde volvemos a encontrar una repercusión de dos notas con valor largo sobre la sílaba pre-tónica. La exégesis es clara: el Señor “dominator” ejercita su soberanía en el reino mediante una “potestas”. En un cierto sentido, se puede decir que precisamente este término "potestas" representa el momento central de la pieza, pues además de hacer referencia y evocar el término inicial "dominator" –  tratado rítmicamente de manera análoga –  llega a superarlo y a calificarlo porque la melodía alcanza aquí su ápice.

El último “et” asume una ulterior y distinta connotación respecto a los primeros dos. Aquí la conjunción es utilizada, con sutil y consumado arte retórico, para llevar nuevamente la proclamación de la realeza de Cristo a su culmen melódico dirigiendo la meditación hacia su vértice, la palabra “imperium”, a cuya sílaba pre-tónica el anotador de San Galo – como se puede ver por las indicaciones bajo el renglón – asocia un gran alargamiento rítmico licuescente, de significado inequívoco.

Pero precisamente esta última palabra "imperium" provoca una nueva y evidente resonancia si la consideramos haciendo referencia al introito “Puer natus” del día de Navidad.

Según las anotaciones de San Galo, en Navidad la misma palabra "imperium" era tratada siempre como culmen melódico, pero dentro de una melodía muy fluida, proclítica, que sugería un sentido distinto y de algún modo complementario al que se da en el introito de la Epifanía, donde en cambio el imperio del Señor resplandece con todo su poder y realeza ante el mundo entero.

Por tanto, la notación de San Galo adhiere perfectamente a estas dos situaciones distintas y complementarias. Cuando debe resaltar, en Navidad, la exaltación de Jesús consiguiente a su “kenosis”, a su humillación, lo hace mediante una melodía proclítica significativamente dirigida hacia la cumbre melódica de la pieza. Viceversa, en el introito de la Epifanía, señala la necesidad de valorizar adecuadamente este culmen sonoro para dilatar la contemplación y saborear en profundidad toda la riqueza y las implicaciones de la realeza de Cristo.

Pero este juego de espejos podría alargarse hasta el infinito, porque cada pieza es una fuente inagotable de reenvíos, exige la costumbre a la concordancia, es una ventana abierta sobre el inmenso panorama del canto gregoriano.

Lo que a nosotros nos puede parecer, desgraciadamente, sólo un complicado juego del cual nos es difícil entender las reglas, en los antiguos cantores, en cambio, hacia nacer y crecer la necesaria asiduidad, la familiaridad absoluta con la Palabra, una familiaridad que desde la materialidad del ejercicio se eleva a conocimiento, a oración de la Iglesia y a experiencia de vida.
4.1.2014 


Ainda sobre este intróito, escreve-nos Bruder Jakob, a partir de Orselina, a 6 de Janeiro de 2013:
Aumentai a imagem.
Il centone biblico (Malachia, 1 Cronache) con cui è costituito il canto d'ingresso dell'Epifania tramanda la melodia d'introito più cantata nel rito romano. La medesima musica, infatti, è stata utilizzata per l'introito delle celebrazioni mariane Salve sancta parens (testo di Sedulio, sec. V, autore, tra l'altro, di poemi divenuti gli inni di Natale e dell'Epifania). 
Il messaggio dell'Epifania riprende un tema già presente nella liturgia di Natale – ad esempio, nell'antifona Rex pacificus – e caro al Medioevo: la regalità di Cristo. L'introito in re plagale insiste sulla ripercussiosne del fa per sottolineare in maniera martellante i termini dominator Dominus regnum potestas imperium
All’enfasi del testo si contrappone la semplicità sobria della persona osannata. Tutto diverso, profondamente diverso dai “signori” che detengono il potere, ieri come oggi. Potere che esercitano talora in modo iniquo e, ancora più spesso, in maniera del tutto inadeguata. Mezze cartucce senza ideali se non la propria cupidigia animalesca, non hanno un’autentica vocazione politica che spingerebbe a donarsi senza risparmio al bene comune, alla costruzione di una società equa che permetta ad ogni persona di vivere dignitosamente. 
Il dominator Dominus si rivela nel giorno dell'Epifania: piccino e indifeso può soltanto sorridere e tendere le manine verso i doni dei tre Sapienti che con simboli annunciano il suo destino di D-i-o, re e vittima sacrificale. D-i-o si fa uomo come tutti noi; re diviene servo di tutti; vittima dilaniata e annullata sulla Croce, dona gratuitamente la salvezza, permette all'uomo di ricuperare la sua dignità Paradossalmente realizza la parola perfida del Tentatore: rende la creatura stessa figlia di D-i-o, partecipe della sua vita, nella condivisione del gesto creatore che fa sbocciare l'esistenza. 
Il pellegrinaggio dei Sapienti, il battesimo nel Giordano, l'intervento provvidenziale e inaspettato alle nozze di Cana: sono tre episodi che fanno apparire la realtà concreta del dominator Dominus. Dopo la lunga e nascosta esperienza di Nazareth, eccolo sulla breccia della vita quotidiana in mezzo alla gente. A chi gli chiede un Regnum che riesca ad opporsi all'oppressione romana, Gesù non fornisce strategie di guerra, bensì parla sul monte e dichiara beati coloro che per amore suo sostengono persecuzioni. La potestas tanto invocata, e proclamata quale soluzione di tutti i problemi economici e sociali, è considerata sotto una nuova e scandalosa prospettiva: è il potere della donazione gratuita che riscalda il cuore del beneficiato e dilata il cuore del benefattore. L'imperium non è il dominio oppressivo che tutto invade e getta i poveri nelle angustie e nelle tenebre; è la luce che tutto inonda e rende illuminanti quanti hanno dischiuso mente e cuore. 
Illuminati per illuminare, resi luce dalla Luce divina – deificum lumen ricorda san Benedetto (Regula, Prol. 9) – noi cristiani non dobbiamo temere i “signori” del mondo. All'inizio di un nuovo anno occorre ridestarsi dal torpore, convertirsi e incamminarsi per le vie della fede, per “correre con il cuore dilatato lungo i sentieri dei comandamenti di D-i-o nell'indicibile gioia dell'amore” (Regula, Prol. 49). Allora si scopriranno anche nuove vie per realizzare i desideri suggeriti dallo Spirito, si prenderà sul serio la vocazione profetica e si diverrà come canta un inno nell'avvento, vox fidelis praenuntiatrix gloriae.

O gradual responsorial é o Omnes de Saba venient, aqui pelo cantor eslovaco:






A Alleluia é a Vídimus stellam ejus, aqui cantada pelo Pedro de França:




Comentário de Tiago Barófio:
Vidimus  s t e l l a m  e i u s  in Oriente, et venimus  c u m  m u n e r i b u s  adorare Dominum (cfr. Mt 2, 2) (re plagale - II modo)

La melodia dell’Alleluia natalizio “Dies sanctificatus” (III Messa) traspare come un filo rosso attraverso tutto il periodo fino al Battesimo di Gesù. L’Alleluia collega strettamente tra di loro non soltanto il 25 dicembre e il 6 gennaio, ma anche le celebrazioni dei Comites Christi, quanti hanno accompagnato nella sua avventura terrena il Verbo di D-i-o (s. Stefano, l’apostolo s. Giovanni, gli Innocenti). Come accennato in precedenza, la melodia propone in forma melismatica la struttura di un formula salmodica in cui si distinguono chiaramente le sezioni introduttive d’intonazione (Vidimus = et venimus) e la elaborazione melismatica della corda di recita (stellam eius = cum muneribus).
L’Epifania è un forte richiamo alla lode di D-i-o, al canto dell’Alleluia con cui ci si mette in adorazione dell’Uomo-D-i-o. Il racconto evangelico è condensato nel testo alleluiatico di san Matteo che fornisce la chiave d’accesso alla celebrazione. Essa, in tutte le sue articolazioni, dalle Ore alla Messa dell’Epifania, rischia di essere travolta e nascosta da tanti avvenimenti rituali pagani e secolari. Tanto più urgente è pertanto il monito del cantore che invita a riflettere sull’itinerario di fede.
Ab Oriente”. Non possiamo pretendere di incontrare Cristo sotto casa, ancorché certamente lo s’incontra nell’ambito stesso della propria famiglia. Occorre sempre uscire da noi stessi, mettersi in cammino (“venimus”), lasciando perdere i nostri progetti nascosti, le pretese ambiziose destinate al fallimento, generatrici di smarrimento, ansia e delusione. Ciò che è veramente importante nella ricerca di D-i-o è la purezza dello sguardo che sola permette di vedere la nostra stella, ci rende capaci di scorgere e di realizzare il disegno di D-i-o.
In questo impegno immane - spirituale e insieme operativo nella concretezza dell’esistere quotidiano – elaboreremo dei pensieri, pronunceremo delle parole, comunicheremo dei silenzi e realizzeremo dei gesti nei quali D-i-o riconoscerà i “munera” che rivelano chi siamo, creature che si offrono in oblazione di lode al loro Creatore e Salvatore. Ma non basta.
L’itinerario della fede non è una corsa affannosa di un atleta solitario, contento quando distacca gli altri e arriva solo al traguardo. L’itinerario della fede si vive sorretti dalla speranza in comunione d’amore. Anche chi vive una vocazione eremitica sa che “non si è mai meno soli di quando si vive soli con D-i-o”. Sa pure, occorre subito aggiungere, che in D-i-o si fonda la più profonda comunione con gli uomini. La comunione con il Padre impone come condizione che nessuno sia escluso dalla comunione fraterna. Nelle parole e nei fatti. Se anche una sola donna o un solo uomo non fosse per noi una sorella e un fratello, non potremmo considerarci e tanto meno essere figli del Padre.
L’orizzonte dell’Epifania si dilata. Lo scenario non trova limiti nel tempo e neppure nello spazio. È tutto un movimento universale e cosmico verso la contemplazione di Colui che è nato per noi e per noi è morto sulla Croce. 
All’inizio di un anno sociale possiamo ritrovare la bussola per orientare la nostra vita, la stella dei Sapienti, la nostra stella.

Antífona do Ofertório Reges Tharsis, na voz do Pedro Francês:




A antífona da Comunhão é Vidimus stellam ejus, cantada pelo Pedro Emanuel Desmazeiros:




A mesma antífona aqui comentada por Bruder Jakob:
Aumentai a imagem.
Il testo dell’antifona di comunione e del versetto alleluiatico riprende una frase della pericope evangelica (Mt 2, 1-12: 2). La melodia dell’antifona è in mi plagale (IV modo) con una coppia di semifrasi cadenzanti sul re e sul mi. Da non trascurare la dilatazione della parola chiave Vidimus con la successione di quattro gruppi neumatici di tre note ciascuno. Il culmine melodico sul do sottolinea l’importanza del segnale divino (stella eius) e della reazione umana (venimus). La corda di recita sul sol, svolge la stessa funzione come nel I emistichio della salmodia propria nei versi dei responsori prolissi.
I tre personaggi provenienti da Oriente pongono una domanda a quanti pensano siano in grado di fornire loro le informazioni necessarie per ritrovare il Nato annunciato dal cielo stellato. Nello stesso tempo la loro parola è anche la risposta a quanti si domandano il perché della loro presenza in Giudea. Presenza inquietante, come si avverte sempre di fronte a estranei e sconosciuti.
Il lungo viaggio per i Tre è un fatto scontato. Non possono evitarlo né rimandarlo dopo quella visione che dischiude loro orizzonti ignoti. Non possono neppure affrontare il viaggio come se si trattasse di esplorare terre nuove o di organizzare una spedizione commerciale. La visione li guida sin dalla preparazione minuziosa dell’itinerario. Oltre a tutti i bagagli dei comuni viaggiatori, essi sentono la necessità di portare anche dei doni. Oro, incenso, mirra: quale sia il loro significato, saranno altri a intuirlo e a conoscerlo. Loro sono stati scrutatori umili della volta celeste, ne hanno letto il segnale primario e si sono messi in marcia.
La loro interpretazione non si esaurisce in lunghe e sterili disquisizioni. Il segno celeste scolpisce e dà forma al loro pensiero, il pensiero si traduce in azione concreta. Con passione iniziano la ricerca. Verso ovest seguono la stella la cui apparizione vivifica la speranza e dà loro forza per proseguire. Non si lasciano distogliere dalle reazioni di quanti incontrano. Stupore, irritazione, invidia, turbamento, curiosità, solidarietà s’intrecciano ed emergono nelle relazioni sociali. Con altri viandanti, con pastori e guide, con poveracci e con un re …
Erode. Il desiderio di vedere il Cristo diviene una passione travolgente, fa traboccare dal cuore un’ansia senza confronti. Nessuno dei Tre ha un desiderio tanto urgente di vedere Lui quanto il re. Ormai accecato dalla pusillanimità spietata, non vede altro che un temibile concorrente nel pastore del popolo eletto d’Israel. La visione della realtà degenera in miraggio di patologiche fantasie. Alla missione di pace subentra il corteo degli aguzzini e omicidi che sopprimono la vita degli Innocenti.
La luce del Verbo incarnato dirada le tenebre del Male. È una luce che penetra ovunque. Tutto chiama a nuova vita. A tutti dona prospettive di un’esistenza nuova che ciascuno può cogliere in una visione. Il cantore annuncia un fatto che risuona in ogni dove. L’atteggiamento dei Tre è soltanto l’inizio di un’esperienza condivisa lungo i secoli e in ogni paese. Essenziale è riuscire a vedere, a vedere il Cristo, il Cristo Figlio di D-i-o e primogenito di ogni creatura, creatura innalzata alla dignità di figlio di D-i-o. Come Paolo ricorda a tutti noi nella lettera a noi consegnata dagli abitanti di Efeso: “le genti sono chiamate, in Cristo Gesù, a condividere la stessa eredità, a formare lo stesso corpo e ad essere partecipi della stessa promessa per mezzo del Vangelo”.

Cânticos próprios da Missa do Dia de Natal / Ad Missam in Die

Partituras:
Próprio autêntico (PDF)
Ofertório autêntico com versículos (PDF)
Salmo responsorial em Português: ver final.
Traduções deste Próprio pelo Felipe da Inimutaba (GDrive).


O intróito desta Missa é o Puer natus est, aqui na interpretação do projecto eslovaco Graduale:




Não deixeis de ler o excelente artigo do Maestro Fulvio Rampi sobre este intróito, nem de ouvir a interpretação dos Cantori Gregoriani de Cremona sob a sua direcção:

Obras maestras del canto gregoriano / "Puer natus"

Es el introito del día de Navidad. En una nueva ejecución que nos ofrecen los "Cantori Gregoriani" y su  Maestro


de Fulvio Rampi




TRADUCCIÓN


Porque un niño nos ha nacido,
un hijo se nos ha dado.
Estará el señorío sobre su hombro,
y se llamará su nombre «Maravilla de Consejero».

Cantad al Señor un canto nuevo,
porque ha hecho maravillas.

Porque un niño nos ha nacido…

El Señor ha dado a conocer su salvación,
a los ojos de las naciones ha revelado su justicia.

Porque una criatura nos ha nacido...

(Isaia 9, 6 / Salmo 97, 1-2)



ESCUCHA







GUÍA A LA ESCUCHA


El introito “Puer natus” es, sin duda alguna, una de las piezas más conocidas del repertorio gregoriano y se ha convertido en símbolo de la antigua tradición monódica navideña.

El "Graduale Romanum" lo sitúa en la apertura de la misa del día, la tercera de las tres misas de Navidad. Según una tradición que se remonta al siglo VI, efectivamente, la Navidad conoce tres distintos formularios litúrgicos: la misa de la noche, la de la aurora y la del día.

Sin embargo, la Iglesia de Roma conocía en origen una sola eucaristía para la Navidad  – celebrada en la basílica de San Pedro – y, precisamente, la que se convirtió seguidamente en la tercera misa “in die”.

La primera misa “in nocte” se origina por el desarrollo de la vigilia nocturna que, bajo el impulso del Concilio de Éfeso del 431 - que atribuyó a María el título de “theotòkos”, madre de Dios –, concluía con una misa papal en la basílica romana de Santa María la Mayor.

La misa "in aurora” se incluyó posteriormente entre las dos porque el Papa, en su camino de vuelta a San Pedro, introdujo la costumbre de celebrar una misa para los griegos en la iglesia de Santa Anastasia.

Es interesante observar, por tanto, que para la Navidad el grado de importancia de las celebraciones litúrgicas está invertido respecto a la Pascua. En Navidad la misa principal es la del día y las celebraciones nocturnas y matutinas se añadieron más tarde. Al contrario, para la Pascua la liturgia principal – a su vez centro de todo el año litúrgico – está constituida por la vigilia nocturna, mientras que la misa del día la completó más tarde.

Es útil recorrer el itinerario trazado por los introitos de los tiempos de Adviento y Navidad también a la luz de la evolución histórica que ahora hemos recordado.

Después de los introitos del Adviento, que anuncian el “gran misterio” – como diría Pablo – de una salvación para todos los pueblos e invocan la “lluvia” del Justo y el “germen” del Salvador, he aquí por tanto los textos de las tres liturgias navideñas, dispuestos sabiamente en un crescendo de rara densidad expresiva, precisamente en preparación de ese “Puer natus” que representa el momento culminante.

El introito de la primera misa nocturna hace resonar un versículo mesiánico del salmo 2 que, en la severa y descarnada traducción sonora gregoriana en segundo modo, contempla el acontecimiento de la encarnación del Hijo resaltando la relación divina con el Padre: “Dominus dixit ad me: Filius meus es tu, ego hodie genui te” (El Señor me ha dicho: Tu eres mi Hijo, yo te he engendrado hoy).

La segunda misa de Navidad inicia recordando una profecía de Isaías 9 y pone inmediatamente el acento en el sustantivo “lux”, clara alusión a la misa “in aurora”, que ve en el nacimiento de Cristo la nueva luz, esperada durante mucho tiempo: “Lux fulgebit hodie super nos, quia natus est nobis Dominus” (La luz resplandece hoy sobre nosotros, porque una criatura nos ha nacido).

Y, finalmente, en la misa del día, el Hijo engendrado por el Padre, nueva luz que resplandece sobre nosotros, toma forma en el “Puer natus”.

Sigue siendo Isaías 9 quien ofrece el texto a este introito, allí donde el profeta anuncia el nacimiento de un “niño”: traducción correcta, ésta, del término “puer” que resuena desde el primer momento con toda su fuerza, pero que exige ser enriquecida de sentido. La impronta mesiánica de ese “puer” invita, efectivamente, a dilatar su comprensión hacia una perspectiva bastante más amplia que la atmósfera del pesebre. El mismo “niño” es inmediatamente entendido como “siervo”, llamado a realizar el plan salvífico del Padre y sobre cuyo hombro – como advierte la segunda frase del mismo introito – ha sido situado todo el poder.

El análisis del fraseo musical aclara y confirma dicha lectura exegética, en verdad bastante distante de la idea corriente de los cantos de Navidad.

Considerando la primera frase, podemos notar que el verdadero énfasis está puesto en dos palabras: “puer”, al principio de la pieza, y “datus”, en la segunda parte de la frase. Las sílabas de acento de estas dos palabras están dotadas de figuras neumáticas – de dos y tres notas respectivamente – que los estudios más recientes han descubierto que son verdaderos puntos de fuerza del fraseo. El intervalo de quinta entre las dos notas iniciales de valor alargado, por ejemplo, representa para el canto gregoriano el máximo impulso melódico posible entre dos notas consecutivas. De otra naturaleza melódica, pero de misma densidad expresiva, aparece la sucesión de tres notas sobre el acento de “dàtus”.

Por tanto, el corazón de esta primera frase se puede resumir en el binomio “puer datus”. En sustancia, lo que se resalta es la dimensión del don, de la entrega, que toda la humanidad ha recibido con la encarnación del Hijo de Dios.

En un juego infinito de recuerdos y de alusiones, que vivifican el tejido gregoriano, no podemos olvidarnos que en la fiesta de la Presentación del Señor, el 2 de febrero –  conclusión ideal del tiempo navideño –, el introito empieza precisamente con “Suscepimus, Deus, misericordiam tuam” (Hemos recibido, oh Dios, tu misericordia), en cuyo incipit encontramos, no por casualidad, esa especial fórmula de fuerte acentuación que había caracterizado la apertura del introito “Rorate caeli” del cuarto domingo de Adviento. La “misericordia" recibida es Cristo mismo, entregado como don por su Padre a la humanidad (“Puer natus”) y ofrecido por la Virgen María al anciano Simeón en el templo (“Suscepimus”).

Completando el fraseo de la primera parte de nuestro introito, asombra el hecho de que “nobis” reciba un énfasis decididamente menor al de "puer" y "datus". Este “nobis”, que normalmente se traduce de manera apresurada como “por nosotros”, significa más simple y literalmente “a nosotros”. Los textos de la Navidad permanecen en esta lógica: el “pro nobis” (por nosotros) pertenece a un desarrollo sucesivo que volveremos a encontrar al inicio y dentro de la Semana Santa: “Christus factus est pro nobis usque ad mortem”. Es sólo allí que el “por nosotros” – añadido por la liturgia como tensión expresiva del texto original paulino – surgirá con toda su fuerza.

La segunda frase del introito – “cuius imperium super humerum eius” (estará el señorío sobre su hombro) – concreta el sentido de la primera: el acento sobre “imperium” representa la cima melódica de la pieza y, por esto, se convierte en el momento supremo del discurso musical. Pero todo el proceso fluido de la melodía circunstante atenúa y subordina dicho énfasis a la verdadera “manifestación” de la realeza y de la potestad de Cristo, que se realizará en la solemnidad de la Epifanía.

El recitativo sobre el do agudo que sostiene la última frase “et vocabitur…” lo confirma. Los valores de las figuras neumáticas – como se deduce de las notaciones adistemáticas añadidas a la notación cuadrada –  son en su totalidad ligeros y la modalidad en "tetrardus auténtico" (séptimo modo), perentoriamente declarada por el intervalo de quinta al inicio de la pieza, se dobla hacia la conclusiva zona “plagal” (octavo modo), decididamente más contenida y menos exuberante.
23.12.2013 


Interpretação do Pedro Francês:




Sôbre este mesmo intróito escreveu Tiago Barófio (PDF):



Já o Gradual responsorial é o Viderunt omnes. O Salmo Responsorial do Leccionário toma o texto do mesmo salmo: "Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus." Eis a partitura deste cântico em Português (PDF, MP3):


Salmo responsorial da Missa do Dia de Natal


Alleluia Dies sanctificátus, aqui na voz do Pedro de França:




Ofertório Tui sunt caeli, na voz do Pedro Francês:




Comunhão Viderunt omnes, aqui na interpretação do Pedro de França:



Não vos abstenhais de ler o comentário do gregorianista Tiago Barófio a esta comunhão (PDF).

Feliz Natal !

Música da Missa da Aurora do Natal / Ad Missam in Aurora

Partituras:
  • Próprio autêntico (PDF) 
  • Ofertório autêntico com versículos (PDF)
  • Próprio simplificado e traduzido em língua Portuguesa (GDrive, MP3)
Canta-se esta Missa também nas Missas Feriais do Tempo Natalício.
 


No intróito desta Missa canta-se o Lux fulgébit, aqui na interpretação do projecto eslovaco Graduale:




Sobre a comunhão Exsúlta fília Sion, reflecte Bruder Jakob (escrito a 1 de Janeiro):
L’antifona di comunione riprende il canto della II Messa di Natale (vedi). Oggi il motivo è forte poiché si celebra la solennità di Maria santissima madre di D-i-o ed è facile rileggere in chiave mariana l’invito a rallegrarsi tramandato dal profeta Zaccaria (9, 9). 
Basta qui ricordare il richiamo melodico che sottolinea la stretta relazione tra la filia Ierusalem e rex. Il Signore per lei è tutto. Tutta la sua vita è per lui. Da notare alcuni fatti che interessano la liturgia odierna e le celebrazioni che nel tempo si sono coagulate intorno al 1 gennaio. 
La dimensione mariale della festa odierna domina l’intera eucologia, compreso il prefazio. Di esplicita impronta mariale è una delle due antifone d’introito (Salve sancta parens) e il riferimento a Maria è presente pure nel Vangelo (Lc, 2, 16-21) con la visita dei pastori e l’imposizione del nome “Gesù” “quando furono compiuti gli otto giorni prescritti per la circoncisione”. Gli altri testi della Messa ignorano del tutto la Vergine Madre. 
Non si comprende come mai, almeno alla comunione, non sia stato scelto un testo mariano o non sia stata recuperata l’antifona “Viderunt omnes fines terrae” che in passato si cantava sia a Natale sia il 1 gennaio. Il testo attuale del Messale “Iesus Christus heri et hodie, ipse et in saecula” (Eb 13,8) contribuisce ad approfondire il divario tra le “anime” che in modo confuso hanno voce in questa giornata. D’altra parte, nei secoli la liturgia del 1 gennaio ha avuto differenti sottolineature. Esplicita al riguardo è la testimonianza della liturgia ambrosiana. L’offerenda di oggi “Ubi sunt nunc dii eorum” è l’impronta profonda e ineludibile di un messaggio volto con forza e ironia a estirpare le radici pagane e difendere/liberare i battezzati dal fascino dei culti idolatrici. 
La storia del sentimento religioso nell’Europa latina, è affollata da idoli che poco per volta si sostituiscono al D-i-o di Abramo, al Padre del Signore Gesù. Il fenomeno si concretizza in modo sia palese sia velato, e perciò maggiormente subdolo. A primeggiare nel pantheon è Mammona in molteplici forme. Primeggiano l’egoismo e l’uso improprio del denaro. Si afferma il cinismo e s’insinua nelle pieghe dei cuori, penetra come baco roditore nelle intelligenze. Alternando lusinghe e minacce, l’idolo diviene il signore delle coscienze frastornate. Si perde il senso della realtà, i valori reali (misericordia, verità, giustizia …) sono prima irrisi, poi sostituiti da tanti principi di comodo. 
Anche i battezzati si avvicinano al baratro, spesso senza accorgersene. Anche loro possono ritrovarsi nel vortice di una spirale che sembra innalzare la persona alle vette della sua dignità, mentre la sprofonda nell’abisso del nulla. Spesso ciò avviene senza che si compia un’azione malvagia. Sempre avviene con la scomparsa di D-i-o dalla vita quotidiana. Senza l’ingombro di un dio, ci si sente più liberi. In realtà si è sempre più condizionati dagli idoli che fanno a gara nell’ assoggettare la persona. 
È opportuno fare oggi il punto della situazione. Uno dei segni più chiari del rinnovamento è Maria. Con lei ciascuna persona è chiamata a essere tutta di D-i-o. Si entrerà necessariamente per la porta stretta, ma di là dalla soglia si apriranno i pascoli verdeggianti verso i quali i Pastore guida il suo gregge. Con la figlia di Sion tutti potranno esultare e condividere la sua gioia.
Bruder Jakob 
Per approfondire un solo aspetto della festa del 1 gennaio cfr. ARNAUD JOIN-LAMBERT, La Disparition de la fête liturgique de la Circoncision du Seigneur: une question historico-théologique complexe, “EL” 127/3, 2013, 307-327.


A Aurora é aquele momento anterior ao amanhecer, em que já se vê a claridade do sol, mas ainda antes do seu nascimento. O Padre António Vieira dizia que este momento do dia é o mais simbólico da Virgem Maria, pois Ela já redimida carregou o próprio Deus ocultado no seu ventre e O deu ao mundo (cfr. Sermão de Nossa Senhora da Luz). A Lux do Sol que nasce simboliza o Deus que nasceu.

Acho muito curioso a insistência do Próprio desta Missa com a indumentária de Deus: no versículo do intróito, da aleluia, do ofertório: Dóminus decórem indútus est, índuit fortitúdinem, et praecínxit se virtúte. O Senhor está vestido de honra, vestiu-se de fortaleza, e cingiu-se de virtude. Porquê neste momento?

Ocorrer-me-ia dizer o seguinte: que a aurora é também o momento mais frio do dia, pois durante a noite a ausência do sol fez arrefecer o tempo, e depois o sol, incidindo novamente os seus raios sobre a superfície da terra, aquece-a. Ou seja: o Menino Jesus, nascido na noite, e residindo num estábulo de animais, certamente sentiu o frio da aurora, e como Se aqueceu? Certamente como o fazem os recém-nascidos: no contacto pele-com-pele com a Mãe, para Se aquecer, para cheirá-la, para ser por Ela segurado, para mamar do seu peito.

O Menino Jesus no ventre materno estava vestido com a honra da virgindade da Mãe; agora nasceu e vestiu-se com a fortaleza da Mãe que pariu humilhada, e cingiu-Se com os braços da Mãe, pináculo e perfeição de toda a virtude.

Música da Missa do Galo / Ad Missam in Nocte

Esta é a 2ª Missa do Natal do Senhor.

Partituras:
  • Próprio autêntico (PDF)
  • Ofertório autêntico com versículos (PDF)
  • Traduções deste Próprio pelo Felipe da Inimutaba (GDrive).
  • Próprio Simples para qualquer das Missas de Natal baseado no Graduale Simplex pelo Ricardo Marcelo (PDF)
O intróito é o Dominus dixit ad me, aqui na interpretação da schola gregoriana eslovaca:




O mesmo intróito, na interpretação da Capella Papal (24/12/2013):




Aleluia Dóminus díxit ad me, comentada pelo Tiago Barófio:
NATALE 1 (Messa della notte) ALLELUIA
Dominus dixit ad me: Tu es Filius meus, hodie genui te
(sal 2, 7)

Il canto della notte di Natale riprende il modello dell’Alleluia Ostende nobis della I domenica d’avvento. Tale melodia, secondo Karl-Heinz Schlager, è stata applicata a ben 39 diversi testi alleluiatici.
Nel brano odierno i due melismi più ampi del verso mettono in evidenza le parole “hodie …te”. “Hodie” è un vocabolo chiave nella liturgia cristiana d’Oriente e d’Occidente. L’azione liturgica non è mai una rappresentazione fantasiosa, è sempre una realtà concreta, presente, tangibile. È storia vissuta. “Te” si riferisce alla persona che D-i-o chiama alla vita e con cui stringe una relazione unica di stretta parentela, quale si costituisce tra genitore e generato. È suo figlio, lo riconosce tale. E in lui riconosce se stesso.
I Padri della Chiesa hanno letto il secondo salmo in chiave cristologica. L’interpretazione a Natale trova il suo compimento temporale e dischiude il velo che nasconde la vita di D-i-o fattosi uomo. Diviene uno di noi affinché ciascuno di noi possa riconoscersi in lui e divenire, a pieno titolo, figlio di D-i-o.
Tutto questo processo – D-i-o si fa uomo, la creatura è assunta nella vita divina – in questi tempi è oggetto di perplessità, irrisione, negazione. Per motivi religiosi quando si è o ci si dichiara atei, ma anche per motivi culturali e sociali che forse sono le cause più diffuse di una dilagante inquietudine sociale. Pochi anni or sono si è parlato molto della società senza padri. Oggi stiamo assistendo, impotenti, a una società senza figli. Figli cui si nega la vita, figli rimasti orfani prima di nascere, figli allontanati e ignorati, figli ridotti a pietre per colpire il coniuge da cui ci si separa…
Nella società occidentale – e purtroppo anche altrove – si alza una marea tempestosa e ormai incontrollabile di “non-figli”. I giovani vivono come topi nelle fogne e tra le rovine putride delle grandi città distrutte dalle rivoluzioni e dalle guerre, dalla Romania al Medio Oriente, dall’Africa alle Americhe. Poi ci sono i giovani derubati della loro giovinezza sostituita da lerce ridicole uniformi militari. Giovani strappati alla loro innocenza e invecchiati precocemente e in modo atroce quando sono costretti a fare i mediatori di morte nella distribuzione capillare di droghe e refurtive. È il mondo delle baby-bande, baby-ladri, baby-omicidi, baby-prostitute, baby … sono tutto fuorché giovani impegnati a costruire un futuro migliore, un avvenire di speranza, luminoso, ricco di promesse.
Poi ci sono i tanti giovani “non-figli” perché s’imbattono in uno Stato che è patrigno con tutte le caratteristiche squallide dei loschi figuri fissati nei racconti di Dickens. E ci sono anche “non-figli” divenuti tali avanti negli anni a causa del comportamento cinico di una Chiesa degenerata in matrigna, avida e cinica, come quella di Cenerentola…
In una società senza figli, non c’è più posto per il Figlio di D-i-o, sia egli Gesù Cristo, sia egli il battezzato che lo Spirito cerca di rianimare, ricuperare alla vita di D-i-o e alla vita degna di una creatura. La crisi del Natale – in alcune città europee è vietato fare un presepio in pubblico – è senz’altro una crisi religiosa, investe la fede ormai sgretolata e maleodorante. Ma è anche una crisi esistenziale che colpisce la persona nella sua dimensione individuale e sociale. Sono due aspetti di un’unica tragica realtà dove causa ed effetto si avvicendano e si scambiano continuamente i ruoli.
La conclusione provvisoria di questa degenerazione è la baldoria di molti cenoni e di quanto vi ruota intorno. Oppure il silenzio agghiacciante di chi si ritrova emarginato, al freddo, abbandonato da tutti, senza poter neppure gustare una fettina di panettone e sorseggiare un dito di vino annacquato. In entrambe le prospettive s’affaccia il clima tetro della disperazione. Chi non ha figli, non ha padri. I “non-figli” rimandano soltanto a “non-padri”. È la tragedia di questo tempo, alla vigilia di un nuovo Natale.
Per tutti questi motivi risuonerà estraneo, ma pure ci interpella e forse riuscirà a scuoterci il cantore quando ci ricorderà che oggi, qui, a te e anche a me D-i-o rivolge una parola e annuncia una promessa: “Tu sei mio figlio”.

Comunhão In splendoribus sanctorum, na interpretação da Capella Papal (24/12/2013):



Comentário a esta Comunhão, pelo gregorianista Tiago Barófio (PDF).

Não deixes de escutar a 1ª aula de Giacomo Baroffio no Curso Introdutório de Gregoriano, sobre esta comunhão.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Versiculário Gregoriano

Resumo dos tons salmódicos usados para declamar os versículos nas antífonas do intróito e da comunhão da Missa (cfr. De ritibus in cantu Missae servandis). Espero que seja útil. Qualquer dúvida que tenhais, colocai-a.

Descarregar PDF. Ou ver no Scribd:


Ao Luís Lopes Cardoso, maestro da capella, que reviu esta cábula;
ao Anton Stingl, editor do Graduale restitutum, pela revisão, correcção e sugestões feitas;
e ao Ricardo Marcelo, pelo manifesto uso que tem dado ao documento:
muito obrigado!


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Magistério da Igreja sobre Música Litúrgica

No último par de anos temos tentado publicar e organizar alguns documentos pouco acessíveis na internet (ou apenas em línguas que não a nossa) sobre o assunto em epígrafe.

Acontece que encontrei recentemente no portal da Escola Diocesana de Música Sacra da Diocese de Coimbra a seguinte secção de "Documentos" na qual se completa com maior perfeição e arranjo a tarefa que idealizámos cumprir:
Nesta secção pretende-se disponibilizar documentos do magistério da Igreja relacionados com a Música Sacra. Pretende-se assim não só apoiar os alunos da EDMS e todos aqueles que se dedicam a este ministério, bem como divulgar a posição oficial da Igreja sobre a música sacra em geral, e em particular sobre a sua interacção com a liturgia.

Os documentos são naturalmente divididos em 4 subsecções dedicadas, respectivamente:

- aos documentos directamente relacionados com a EDMS emitidos pelo Bispo Diocesano de Coimbra (EDMS);

- aos documentos emitidos pelos Sumos Pontífices e pelo Concílio Vaticano II (Pontifícios / Conciliares);

- aos documentos produzidos pelos diversos dicastérios da Cúria Romana que apoiam a missão dos Papas (Dicastérios da Cúria Romana);

- aos documentos da responsabilidade de outras entidades, como a Conferência Episcopal Portuguesa ou diversos bispos diocesanos (Outros);
Portanto, é com muita alegria que encaminhamos todos os nossos leitores para a referida página. Passaremos a dedicar mais templo ao que considerardes ser mais útil.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Aclamações Depois da Consagração, em Português

A música é do Padre Estêvão Luís Jardim, sacerdote da Companhia de Jesus que esteve 50 anos nas Missões em Moçambique e Angola, e lá ensinou os locais a saudarem o Corpo de Deus com estas melodias. Ao que parece, só há música publicada para uma das três aclamações que o Missal Romano de Paulo VI prevê para este momento, pelo que o Padre compôs para as outras duas:


JPEG. PDF.

Acclamationes post consecrationem

Anno B: Mistério admirável da nossa fé.
R/ Quando comemos deste pão,
e bebemos deste cálice,
anunciamos, Senhor, a vossa morte,
esperando a vossa vinda gloriosa.
AnnoC: Mistério da fé para a salvação do mundo.
R/ Glória a Vós, que morrestes na Cruz,
e agora viveis para sempre.
Salvador do mundo, salvai-nos.
Vinde, Senhor, Jesus.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Música para Órgão na Missa

Todos os documentos do Magistério da Igreja (que eu conheço) são unânimes ao afirmar que «o canto gregoriano sempre foi considerado como o modelo supremo da música sacra, podendo com razão estabelecer-se a seguinte lei geral: uma composição religiosa será tanto mais sacra e litúrgica quanto mais se aproxima no andamento, inspiração e sabor da melodia gregoriana, e será tanto menos digna do templo quanto mais se afastar daquele modelo supremo» (S. Pio X, 22-11-1903).

Ora, tocar num órgão de tubos as velhas melodias gregorianas compostas para serem cantadas a uma só voz, em uníssono coral, pode parecer um empobrecimento das potencialidades deste instrumento, o qual, «desde sempre e com boa razão, (...) é classificado como o rei dos instrumentos musicais, porque retoma todos os sons da criação e (...) dá ressonância à plenitude dos sentimentos humanos, da alegria à tristeza, do louvor à lamentação. Além disso, como toda a música de qualidade, ao transcender a esfera simplesmente humana, remete para o divino. A grande variedade dos timbres do órgão, do piano até ao fortíssimo arrebatador, faz dele um instrumento superior a todos os outros. Ele é capaz de dar ressonância a todos os aspectos da existência humana. De algum modo, as múltiplas possibilidades do órgão recordam-nos a imensidade e a magnificência de Deus» (Bento XVI, 13-9-2006).

Com efeito, encontram-se na net várias partituras para acompanhar o canto gregoriano. No entanto, muitas destas harmonizações retiram importância ao desenho melódico original, dão-lhe um carácter tonal e não modal, e deixam o organista na ignorância quanto ao ritmo correcto, o qual não pode ser expresso sem recorrer aos neumas originais de S. Gall e Laon.

Por isso, é fundamental que o organista estude primeiro o canto gregoriano per se, que se imbua do espírito mais perfeito da música sacra e depois o transporte para o órgão. Quando estiver à vontade no tangimento da melodia gregoriana, com o ritmo e registo mais apropriados, poderá querer, por exemplo, acrescentar-lhe um pedal que acompanhe a melodia, e a destaque.

De facto, foi de modo semelhante que surgiram os primeiros géneros de música polifónica na Idade Média, a chamada polifonia gótica: uma melodia muito elaborada (melismática) inspirada no canto gregoriano clássico era cantada pela voz principal, enquanto as outras lhe criavam um ambiente harmónico coerente. Com o tempo, as outras vozes foram ganhando também destaque, umas vezes imitando a melodia gregoriana original, outras vezes nem tanto. Por altura do Renascimento (séculos XV-XVII), muitas das composições litúrgicas ainda se inspiravam claramente na melodia gregoriana original; outras, mais livres - os motetes -, embora não seguissem o desenho melódico gregoriano, nem por isso abandonavam o ambiente modal e a suavidade rítmica que garantem aquele sabor a solenidade e respeito indispensável duma celebração litúrgica.

Na verdade, a polifonia do Renascimento é considerada o género musical mais nobre e digno de integrar a Liturgia de Rito Romano - claro está que a seguir ao canto gregoriano -, como reafirmou em Novembro de 2012 o Papa Bento XVI:

«Comprometei-vos por melhorar a qualidade do canto litúrgico, sem ter receio de recuperar e valorizar a grande tradição musical da Igreja, que no gregoriano e na polifonia tem duas das expressões mais nobres (cf. Concílio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium, 116).»

Significa isto que muito do repertório composto no período barroco e seguintes, na verdade não será o mais conveniente de ser interpretado durante a Liturgia - inclusive Bach, e Mozart! -, a pesar de ser música sacra de suprema beleza, que sem dúvida a tanta gente toca e aproxima de Deus.

Alguns Papas (p.ex. S. Pio X em 1903, Pio XI em 1928) apontam mesmo como o mais digno de ser interpretado durante a Liturgia o compositor italiano Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525-94), cujas belas obras ainda hoje se ouvem durante a Liturgia Papal. Mas há muitos outros autores a conhecer: Johannes Ockeghem, Orlando di Lasso, Josquin des Prés, Thomas Thallis, William Byrd, Francisco Guerrero, Tomás Luis de Victoria, entre tantos, e tantos outros.

E lusófonos? Também os temos: Pedro de Escobar, Manoel Cardoso, Filipe de Magalhães, Francisco Martins, João Lourenço Rebello, Diogo Dias Melgaz, D. João IV, Frei Roque da Conceição... Para obter as suas partituras, há alguns recursos úteis, tais como o sítio dos Órgãos de Portugal, a CPDL, a colecção Portugaliae Musica, ou ainda, para os puristas que gostam da notação mensural branca, a Portuguese Early Music Database.

Este repertório, composto originalmente para côro (por vezes com outros instrumentos), não está, de modo algum, ao alcance da esmagadora maioria dos nossos córos litúrgicos. Muitas paróquias não têm cantores em número e qualidade suficientes para interpretarem o canto gregoriano ou a polifonia do Renascimento com a dignidade que estes exigem, sobretudo se pensarmos que o texto litúrgico do próprio varia diariamente, o que obriga a uma mudança contínua de repertório. Neste aspecto, um organista interessado e persistente poderá mais facilmente estudar uma ou outra peça para tocar durante a Liturgia, e desempenhar um papel insubstituível para a glorificação de Deus e santificação dos fiéis, para que mais e mais deles se sintam em casa quando ouvem a Sua música.

Sim: tocar no órgão de tubos as composições polifónicas para múltiplas vozes que a Igreja nos legou através dos séculos. Deste modo, não correremos o risco do improviso genérico fora da tradição. Pode parecer estranho tocar a partir de um sistema de 4 pentagramas ou mais, mas no passado era o que os tangedores do órgão faziam, como se vê por exemplo pelas Flores de Música do Padre Manuel Rodrigues Coelho (1620):




Aliás, os organistas da época tocavam peças de polifonia escrita em livro de côro, com as vozes separadas:




E já que o repertório polifónico oferece um tão vasto leque de peças adequadas à Liturgia, poderemos escolher uma que se adecúe à circunstância na qual vamos tocar. O que faz colocar a questão: em que momento da Missa tocar? Para responder a esta pergunta, é necessário ter em atenção que:
  1. esses momentos são os que o celebrante considerar apropriados;
  2. o organista não deve atrasar a cerimónia nem deixar o celebrante à espera;
  3. há momentos da Missa em que é conveniente manter o silêncio (p.ex. depois da homilia);
  4. há tempos litúrgicos em que é conveniente haver especial moderação no uso de instrumentos musicais (Advento e Quaresma, cfr. IGMR 313);
  5. há orações da Missa que não devem ser nunca suprimidas ou abafadas pela música; nestes casos, o órgão manter-se-á em silêncio ou, quando muito, sustentando o canto, como fôr julgado mais conveniente;
  6. o povo deve interiorizar que o som do órgão serve para facilitar a oração e não para permitir o desrespeito pelo espaço sagrado (conversa com as pessoas do lado, deslocação ruidosa pela igreja, etc.).
Dito isto, sobram poucos momentos em que o órgão possa soar sozinho:
  • aqueles para os quais os livros litúrgicos não prescrevem que se diga qualquer texto (antes de começar a Missa, depois de cantada a antífona da comunhão, depois de concluída a Missa), devendo ponderar-se o benefício do órgão em relação ao silêncio (p.ex. na acção de graças);
  • aqueles em que o texto litúrgico prescrito pode ser omitido ou apenas lido secretamente pelo celebrante (antífona do intróito, antífona do ofertório, antífona da comunhão);
  • aqueles que são sobejamente conhecidos de todos e podem ser substituídos pelo órgão de tubos conforme o uso alternatim (p.ex. Kyrie), em que órgão e côro intervêm alternadamente como se dialogando.
Assim, por exemplo:
  • Se vou tocar durante o rito penitencial da aspersão do povo com água benta, fora do tempo Pascal, eu sei que o texto indicado pelo Graduale Romanum (pág.707) para esse momento é o Asperges me, Domine, hyssopo, et mundabor: lavabis me, et super nivem dealbabor (Salmo 50,9), pelo que posso escolher a peça homónima de Manoel Mendes:
  • Se me pedem que toque durante ou depois da comunhão na Missa da Vigília do Nascimento do Senhor, vejo que o Graduale Romanum (p.40) indica para este momento o texto Revelabitur gloria Domini: et videbit omnis caro salutare Dei nostri (cf. Isaías 40,5), pelo que poderei tocar a peça de Estêvão Lopes Morago:





E assim para qualquer outra ocasião. Deste modo, o som do órgão aproxima-se da perfeição da voz humana e «converte-se num sinal eminente do cântico novo que devemos cantar a Deus. De facto, cantamos verdadeiramente um cântico novo quando vivemos dignamente, quando aderimos à vontade de Deus com alegria e entusiasmo, quando cumprimos o mandamento novo, amando-nos uns aos outros» (Ritual de Bênção do Órgão).

Órgão da Catedral de Mariana,
em Minas Gerais, no Brasil.
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