sábado, 20 de agosto de 2016

A Técnica do Fabordão

Num postal anterior citei os documentos do Magistério e afirmei que o passo seguinte a ser dado por um côro litúrgico que domine a execução do reportório gregoriano seria o avanço para a polifonia. Naquele postal, interpretei precipitadamente os documentos do Magistério, na medida em que o termo "polifonia" (que significa "várias vozes") se refere a muito mais do que apenas aquelas peças em que todas as vozes aparecem claramente escritas. A isso na época chamavam "Canto d'órgão", tratando-se de um género musical muitos graus de dificuldade acima do canto-chão interpretado monodicamente.

Entre o nível do canto monódico e o canto d'órgão, existe um nível intermédio no qual encaixaríamos dois estilos: o Fabordão, e o Contraponto. O contraponto possui regras próprias que merecem estudo e atenção, pelo que o deixaremos por agora de lado.

Já o fabordão era descrito à época como "cantar a vozes para gente que não sabe música". O nome vem de "falso bordão", isto é um falso íson, na medida em que o íson é uma das possibilidades do contraponto com suas regras, que não são arbitrárias.

Não vale a pena portanto estarmos aqui com grandes teorias musicais nem partituras para cantar um fabordão. Basta que uma parte do côro cante a voz principal, e que cada um dos restantes, enquanto escuta atentamente os restantes cantores, cante o mesmo texto simultaneamente, a uma altura diferente, que soe bem ao ouvido (consonância).

Quando haja o perigo de se cair no caos (p.ex. se muitos cantores destinados ao fabordão, ou textos muito longos, etc.), pode combinar-se antes da celebração quem canta o quê e como. Há também vários exemplos históricos de fabordões fixados por escrito.

O estilo do fabordão é especialmente útil para aquelas respostas simples, sobre as quais escrevi no postal já citado, assim como para todas as outras entoações que se baseiem no recto tono.



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